Correntes em Miguel Alves — Foto: TV CLUB
Além de restringir o tráfego, as correntes instaladas após
o crime são apontadas por moradores como causa de acidentes ao longo dos anos.
Uma mulher ficou ferida após sofrer um acidente de
motocicleta na manhã desta quarta-feira (19), em Miguel Alves, no Norte do
Piauí. O acidente aconteceu em uma das vias onde correntes são instaladas para
impedir a passagem de veículos.
As estruturas estão no município há mais de uma década,
desde 2013, e são alvo de reclamações de moradores, que afirmam que elas
dificultam a circulação e contribuíram para o aumento do número de acidentes na
região.
Procurada pelo g1, a Prefeitura de Miguel Alves informou
que não irá se pronunciar sobre o caso.
As correntes foram instaladas na região central do
município como uma medida de segurança após um assalto a uma agência bancária
em 2013. A principal via bloqueada dá acesso a uma região onde ficam o Banco do
Brasil, o mercado público municipal e estabelecimentos comerciais.
A proposta era dificultar a aproximação e a circulação de
veículos na área das agências bancárias e, consequentemente, reduzir os riscos
de novos ataques.
Com a interdição, motoristas que chegam a Miguel Alves precisam
utilizar acessos alternativos para chegar ao centro.
Moradores
reclamam de dificuldades no trânsito
Assis Dutra, morador de Miguel Alves desde a implantação
das correntes, afirma que as estruturas provocam dificuldades principalmente
para quem precisa acessar a região central.
Elas provocam um tumulto generalizado desde que foram
colocadas. Inclusive, o banco já foi roubado depois da implantação das correntes”,
afirmou.
Segundo ele, quem chega ao município vindo de Teresina ou
de outras regiões e precisa acessar o centro comercial, o mercado público ou o
Banco do Brasil enfrenta dificuldades por causa do bloqueio.
“Quem chega em Miguel Alves, vindo de Teresina ou de outras
regiões, para chegar ao centro comercial, ao mercado público municipal e ao
Banco do Brasil, que ficam todos na mesma avenida, é um sufoco”, relatou.
Audiência
discutiu retirada das correntes
A possibilidade de retirar as estruturas chegou a ser
discutida em uma audiência pública realizada em março de 2025 pela Câmara
Municipal de Miguel Alves.
O encontro teve como pauta a reabertura da Avenida José de
Deus Lacerda e contou com a participação de representantes ligados à segurança
e ao trânsito, entre eles a então diretora-geral do Departamento Estadual de
Trânsito do Piauí (Detran-PI), Luana Barradas.
Em entrevista ao g1, o presidente da Câmara Municipal de
Miguel Alves, vereador José Pereira, afirmou que a audiência decidiu pela
retirada condicionada à adoção de medidas consideradas necessárias para
garantir a segurança da região.
“Ficou decidido que as correntes seriam retiradas quando
houvesse segurança no local, organização do trânsito e videomonitoramento da
cidade”, afirmou Zé Pereira.
De acordo com o vereador, também foi criada uma comissão
para buscar uma reunião com o secretário estadual de Segurança Pública. Segundo
ele, a comissão ainda não conseguiu ser recebida.
“Foi criada uma comissão para falar com o secretário
estadual de Segurança e essa comissão até hoje não foi recebida. Foram enviados
ofícios e e-mails sem respostas”, disse.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança
Pública do Piauí, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve
resposta.
Detran
propôs estudo para readequar trecho
O Detran-PI informou que durante a audiência se colocou à
disposição para analisar a situação da avenida e buscar uma alternativa para o
trânsito no local.
A proposta apresentada pelo órgão estadual envolvia a realização
de um estudo técnico e a elaboração de um projeto de engenharia para
sinalização e readequação do trecho.
A intenção era encontrar uma solução que permitisse
melhorar a circulação sem comprometer a segurança da área.
Para Zé Pereira, a permanência das estruturas está
relacionada à falta de uma solução para o problema de segurança pública.
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